Em 31 de outubro de 2008, em meio à crise financeira global (causada pelo colapso
do mercado imobiliário nos EUA), um indivíduo (ou grupo) sob o pseudônimo de
Satoshi Nakamoto publicou o famoso whitepaper: “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic
Cash System” (Bitcoin: Um Sistema de Dinheiro Eletrônico de Ponta a Ponta).
Esse documento propôs uma nova forma de moeda digital que funcionaria de
maneira descentralizada (o grande diferencial das criptomoedas até hoje), sem a
necessidade de intermediários como bancos ou governos. O conceito central do
Bitcoin era o uso de uma tecnologia inovadora chamada blockchain, que permitia
registrar transações de forma segura e transparente.
O surgimento do Bitcoin marcou o início de uma nova era para o sistema financeiro
global, desafiando as formas tradicionais de transações econômicas e abrindo
caminho para o desenvolvimento de inúmeras outras criptomoedas. Desde então, o
Bitcoin tem sido objeto de intensa discussão e análise por especialistas no mundo
inteiro, atraindo tanto investidores quanto tecnólogos interessados em suas
potencialidades e implicações.
Além de sua aplicação financeira, o Bitcoin e a tecnologia blockchain têm o
potencial de transformar diversas indústrias, oferecendo soluções para problemas
de confiança, segurança e eficiência.
Em 3 de janeiro de 2009, o Bloco Gênese (o primeiro bloco de Bitcoin) foi minerado.
Nele, Nakamoto escreveu uma frase de um jornal da época sobre o resgate aos
bancos, imortalizando o motivo político da criação da moeda.
Em 2010, a primeira transação comercial ocorreu quando Laszlo Hanyecz comprou
duas pizzas por 10.000 Bitcoins. Essa sem dúvida foi a “comidinha” mais cara da
história. Se Laszlo Hanyecz tivesse guardado os 10.000 BTC, em Reais ele teria
atualmente R$3.431.750.000,00 (três bilhões, quatrocentos e trinta e um milhões,
setecentos e cinquenta mil reais), já em Dólares, considerando o câmbio atual, isso
equivale a mais de US$ 630 milhões. O dia 22 de maio é comemorado todos os
anos pela comunidade cripto como o “Bitcoin Pizza Day”
Em 2015, o lançamento da Ethereum trouxe os “Smart Contracts” (Contratos
Inteligentes), permitindo que o blockchain fosse usado para mais do que apenas
pagamentos, dando origem aos NFTs e às finanças descentralizadas.
DIVERSIFICAÇÃO DE MERCADO
No universo das criptomoedas, o Bitcoin mantém sua soberania como a maior
criptomoeda do mundo. Tudo o que veio depois dele ou que possui características
específicas acaba recebendo uma classificação própria.
- Altcoins – Alternative Coins
Basicamente, qualquer criptomoeda que não seja o Bitcoin é considerada uma
altcoin, elas oferecem funções que o Bitcoin não tem, como contratos inteligentes ou
maior velocidade. Exemplos de altcoins são Ethereum (ETH), Solana (SOL),
Cardano (ADA) e Litecoin (LTC).
Curiosidade: O Ethereum é uma altcoin tão grande que muitos investidores já a
colocam em uma categoria própria, separada das outras menores.
- Memecoins
São moedas baseadas em memes da internet. Elas são um fenômeno cultural e
financeiro. São moedas que não nasceram com uma utilidade técnica profunda, mas
sim para criar comunidade e diversão. Elas podem valorizar 1.000% em um dia e
cair 90% no outro. Exemplos famosos são Dogecoin (DOGE), Shiba Inu (SHIB) e
Pepe (PEPE).
- Stablecoins – Moedas Estáveis
Essas são fundamentais para o ecossistema. Elas são “estáveis” porque seu valor é
pareado ao de uma moeda fiduciária, como o Dólar. Para fugir da oscilação do
Bitcoin sem precisar sacar o dinheiro para o banco. Um grande exemplo de
stablecoins é o USDT (Tether) e USDC (USD Coin). As stablecoins representam
uma ponte crucial entre o sistema financeiro tradicional e o emergente mundo das
criptomoedas. Sua importância no mercado financeiro cresce à medida que mais
pessoas buscam alternativas digitais para armazenar e transferir valor de forma
rápida e segura.
- Shitcoins
Este é um termo usado pela comunidade para descrever moedas que não têm
projeto nenhum ou são golpes (scams). Quando existem de fato, têm baixa liquidez
e servem apenas para especulação pesada. Vale ressaltar, que um investidor
chama de “joia escondida”, outro pode chamar de shitcoin.
- DeFi – Decentralized Finance (Finanças Descentralizadas)
A base do DeFi são os contratos inteligentes dentro da Blockchain, principalmente
na rede Ethereum (ETH) ou Solana (SOL). Uma vez que esse código é publicado na
blockchain, ninguém pode alterá-lo. O pagamento é automático e garantido pela
matemática, não por uma assinatura em papel.
EXCHANGES, CARTEIRAS E SEGURANÇA
A descentralização das criptomoedas é uma característica notória, uma vez que as
transações ocorrem completamente fora do sistema bancário tradicional, embora
sejam totalmente rastreáveis. Este aspecto atrai a atenção de investidores do
mundo todo. As movimentações de criptomoedas apresentam diversos prós e
contras e, geralmente, são realizadas de duas maneiras principais: por meio de
Cold Wallets e Hot Wallets. Estas são, essencialmente, as duas formas de
armazenar as criptomoedas adquiridas.
As Cold Wallets, ou carteiras frias, são dispositivos físicos que não estão
conectados à internet, tornando-as mais seguras contra ataques cibernéticos. Elas
são ideais para armazenamento a longo prazo, pois protegem os ativos de possíveis
ameaças online. Por outro lado, as Hot Wallets, ou carteiras quentes, estão sempre
conectadas à internet, o que proporciona maior conveniência para transações
rápidas e frequentes. No entanto, essa conexão constante as torna mais vulneráveis
a ataques.
Enquanto alguns investidores preferem a segurança robusta das Cold Wallets,
outros podem priorizar a acessibilidade e a facilidade de uso das Hot Wallets. Além
disso, é comum que os investidores diversifiquem seus métodos de
armazenamento, utilizando uma combinação de ambas as carteiras para equilibrar
segurança e praticidade.
As Corretoras (exchanges) são ótimas para comprar e vender. No entanto,
enquanto seu dinheiro está lá, a “chave” é da corretora. Se a corretora sofrer um
ataque hacker ou falir, você pode perder seus ativos. Elas são práticas, mas não
são o lugar mais seguro para guardar grandes quantias.
As Palavras de Recuperação (Seed Phrase) são as 12 ou 24 palavras aleatórias
das wallets. Elas são a Chave Mestra, o acesso ao seu dinheiro. A chave é imutável
e insubstituível. Se você perder essas palavras e seu dispositivo (celular ou
hardware) estragar, ninguém no mundo, nem o suporte da carteira, nem o Vitalik
Buterin, nem o próprio Satoshi Nakamoto, pode recuperar seu dinheiro. Essas
palavras são geradas matematicamente a partir de um padrão chamado BIP-39.
Elas não mudam e atribuem acesso a todos os seus endereços dentro daquela
carteira.
Um adendo para dicas de segurança:
- Nunca tire foto ou print das palavras: Hackers e vírus buscam
especificamente por padrões de 12/24 palavras em bibliotecas de imagens. - Papel e Caneta (ou Metal): Anote em um papel e guarde em um lugar à prova
d’água e fogo. Hoje, no mercado cripto, existem placas de metal feitas
justamente para gravar essas palavras. - Nunca digite em sites: Nenhuma carteira ou suporte técnico legítimo pedirá
suas palavras. Se um site pedir, é golpe.


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