Quem nunca ouviu falar no bloqueio de contas do Governo Collor? Era uma medida
drástica implementada durante o governo do presidente Fernando Collor de Mello,
em 1990, como parte de um plano econômico para combater a hiperinflação que
assolava o Brasil na época. O Plano Collor, como ficou conhecido, congelou
poupanças e contas correntes acima de um determinado valor, causando grande
indignação e insegurança entre a população. Muitos brasileiros tiveram que lidar
com dificuldades financeiras inesperadas, e o impacto econômico e emocional foi
profundo. Este evento é frequentemente lembrado como um dos momentos mais
marcantes e controversos da história econômica do país.
Com isso, o medo de deixar valores em contas poupança ou corrente se tornou
inevitável, fazendo com que pessoas buscassem outras formas de “guardar”
dinheiro de forma mais segura. Mesmo assim, a quantidade de pessoas que ainda
investem em conta poupança ainda é maior do que pessoas que diversificam em
ativos fora da conta corrente e poupança.
Analisar o mercado financeiro pode parecer complexo, mas é uma habilidade
fundamental para qualquer investidor, principalmente para iniciantes. Começar a
investir, ou seja, dispor de valores para aplicar no mercado financeiro, seja ele de
renda fixa ou de renda variável sem nenhum tipo de entendimento é expor o seu
patrimônio a um risco desconhecido.
De fato, o mercado como um todo tem seus riscos. O dinheiro alocado em conta
poupança também tem seus riscos. A questão é: você sabe o risco do investimento
que você está fazendo?
Essa é a principal razão pela qual qualquer investidor deve ter o mínimo de
conhecimento sobre o mercado financeiro.
Dicas Essenciais para o Investidor Iniciante
- Antes de tudo, conheça seu perfil: defina seu perfil de investidor e objetivos
de investimento (curto, médio ou longo prazo).
O Perfil do Investidor, também conhecido como Análise de Perfil do Investidor
(API) ou, no jargão técnico, Suitability (adequação, em inglês), é um procedimento
obrigatório e crucial no mercado financeiro. Ele serve para identificar o nível de
tolerância a risco, os objetivos, a situação financeira e o conhecimento do
investidor, garantindo que os produtos e serviços financeiros recomendados sejam
adequados às suas características.
- O dever legal do API: É dever das instituições financeiras e intermediários
(como corretoras e bancos) coletar essas informações e garantir a adequação das
recomendações, conforme a regulamentação brasileira. Geralmente, os perfis são
classificados como:
Conservador: Prioriza a segurança e a liquidez, com baixa tolerância ao
risco.
Moderado: Busca um equilíbrio entre segurança e rentabilidade, aceitando
um risco médio para buscar retornos maiores.
Arrojado/Agressivo: Aceita riscos mais altos em busca da maximização dos
lucros no longo prazo, com alta tolerância à volatilidade.

Se você está pensando em investir, é importante saber que toda corretora, banco ou
distribuidora de títulos e valores mobiliários deve, por lei, realizar um questionário
específico antes de qualquer aplicação (exceto em poupança ou em alguns
investimentos muito básicos). Este procedimento é essencial para garantir que o
investimento esteja alinhado ao seu perfil e às suas necessidades.
Ao acessar o aplicativo ou site da sua corretora ou banco de investimentos, procure
por termos como “Perfil do Investidor” ou “Suitability”. Essas ferramentas são
fundamentais para entender melhor qual tipo de investimento mais se adequa ao
seu perfil e objetivos financeiros. Portanto, antes de dar o próximo passo no mundo
dos investimentos, não deixe de preencher esse questionário e garantir que suas
escolhas sejam as mais informadas e acertadas possíveis.
A Frequência: Seu perfil deve ser atualizado em intervalos não superiores a 24
meses, ou sempre que seus objetivos de vida ou situação financeira mudarem
significativamente. Seu perfil pode (e deve) mudar ao longo da vida. Não tenha
medo de refazer o teste se seus objetivos, renda ou conhecimento sobre o mercado
mudarem.
- Conheça quem investe seu dinheiro: nunca deixe o seu capital nas mãos de
quem você não conhece, há infinitos conflitos de interesse quando se fala em
gerente de bancos, analistas financeiros, IA de corretoras etc. Caso você opte por
investir o seu dinheiro de forma passiva, procure alguém que não tenha conflitos de
interesse, pesquise cuidadosamente e busque recomendações, priorizando
profissionais com boa reputação e um histórico comprovado, há pessoas sérias e
competentes no mercado que fazem esse tipo de trabalho.
E o mais importante, a educação financeira é uma ferramenta poderosa que pode
ajudá-lo a alcançar seus objetivos de maneira mais segura e consciente.
- Saiba onde investir: há ótimas oportunidades, independentemente dos ciclos de
mercado (ciclos de alta, de baixa ou lateralização). Conheça todos os tipos de
investimentos, mesmo que não vá utilizá-los, busque algo que seja adequado ao
seu perfil e que te deixe confortável na hora do aporte.
Também é vital estabelecer objetivos financeiros claros e definir um plano para
alcançá-los. Seja para a aposentadoria, a compra de uma casa ou uma viagem dos
sonhos, ter metas definidas ajuda a manter o foco e a disciplina. Revisite seus
objetivos periodicamente para garantir que eles ainda estejam alinhados com sua
realidade e faça ajustes conforme necessário.
Por último, mas não menos importante, tenha sempre uma RESERVA DE
EMERGÊNCIA. Ela oferece uma rede de segurança em tempos de incerteza e
permite que você invista com mais confiança, sabendo que tem um fundo disponível
para qualquer eventualidade.
- Aprenda a lidar com emoções: medo e ganância são grandes inimigos do
investidor. Tenha um plano de investimento e evite tomar decisões precipitadas
baseadas em notícias ou no hype do mercado.
Mantenha a disciplina e siga seu plano com consistência, mesmo quando o
mercado estiver volátil.
Seguir em investimentos adequados ao seu perfil de investidor ajuda a não tomar
decisões precipitadas quando acontece uma grande movimentação de mercado,
pois estará ajustado ao seu perfil.
O sucesso nos investimentos raramente depende apenas de qual produto você
compra, ele depende muito mais de como você pensa e se comporta. O “mindset” é
a base psicológica que garante a disciplina e o controle emocional necessários para
superar a volatilidade do mercado, do conservador ao extremamente arrojado.


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